quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ditadura moderna


Calar! Mas por quê? Isso não sai da minha cabeça. Não temos o direito de falar? De saber? Todos nós temos direitos! E não to falando só dos direitos legais. Temos direito de não concordar, de questionar, de expor... Mas calar é mais fácil! Só calar. Sem pensar! Transparência, confiança, diferencial, família... Palavras que fazem parte de um discurso bonito e demagogo, palavras usadas de uma forma tão rasa, que ao longo do tempo vão ficando fracas, vão perdendo o sentido e por fim perdem o significado. Eu gostava mais quando era: “cala a boca e faça o que eu mando!”. Era no mínimo mais genuíno, mais sincero.

As baixas são sentidas por nós e refletidas de forma triste. Não podemos nos dar ao luxo de pensar em certo ou errado, justo ou injusto. Nós precisamos e eles contam com nossas necessidades. Os subversivos não duram nem duas horas, eles precisam pagar as contas, os alugueis. O medo é constante, a tortura é psicológica. Somos bons o suficiente? Fizemos tudo certo hoje? Não podemos errar! Eu não posso errar! Já me peguei obcecada por isso inúmeras vezes e isso não faz o menor sentido. No fim, somos só números.

Na ditadura moderna, nós não somos demitidos, somos desligados como máquinas, material descartável, substituível. Somos desligados por gente que precisa tanto quanto nós, que é tão ou mais descartável, mas que mesmo assim se propõe a fazer o trabalho sujo na ilusão do “mais”. Essas pessoas não conseguem perceber que são tão frágeis quanto nós, que são tão “números” como qualquer outro.

“Falem! Estamos aqui para escutar vocês!” Cuidado! O preço de uma opinião pode ser alto demais. Tenho visto gente pagando a prestação essa conta e admiro quem tem coragem, quem não abaixa a cabeça, quem vai até o fim pelo que acredita ser justo. É bom ver que ainda tem gente que não se vende. Que precisa, mas não se vende.

Na ditadura moderna, os medos são outros, as torturas são contratuais e o tapa com luva de pelica está em alta. Mas tudo é dentro da lei. A lei do mais forte.



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