quinta-feira, 25 de abril de 2013

Luz de Luna


Naquele dia eu soube que a amava como nunca havia amado alguém. A sua dor era a minha, o seu desespero. Mesmo sem saber ao certo o que doía, o que a desesperava. Foi exatamente nesse momento que percebi que eu ainda podia temer e temia, porque eu tinha sim o que perder. E sabia que ela me amava do mesmo jeito, mesmo com todas aquelas lembranças ruins. Ela queria! Ela queria muito!
                                             
Sentei no sofá, ascendi um cigarro e mergulhei nisso. Ela me observava com atenção. Levantou, foi até a vitrola. Fechei meus olhos e quando ouvi a voz de Chavela Vargas cantando “Yo quiero luz de luna para mi noche triste...”, os abri rapidamente. E lá estava ela, dançando feminina, segurando a longa saia que usava e olhando direto nos meus olhos, direto na minha alma.

Ela foi se aproximando e começou a se despir, com aqueles olhos fixos nos meus, eles não se perdiam. Tirou a saia, a blusa...  Montou em mim. Eu podia sentir seu tesão só pela respiração e isso me enlouquecia. Beijou-me os lábios, beijou-me os olhos, segurou com força minhas mãos. Sussurrou ao pé do meu ouvido:

- Eu te amo...

Repetia isso com emoção e me agarrava com urgência. Apertava-me contra ela, como se pudesse fazer de nossos corpos um só. A peguei com vontade, deitei-a no chão. Fiquei olhando aquela imagem por alguns segundos, ela ali deitada, nua. Os cabelos espalhados e os olhos clamando por mim. Quando a toquei, tentei mensurar o tamanho de seu desejo, mas em seguida me senti estúpida por isso. Existem coisas que não se mensuram, chega a ser criminoso tentar mensurar, perde a força e a beleza.

Voltei! Tocava e escutava os gemidos, tocava e sentia as respostas do seu corpo. Não conseguia parar, enlouqueci. Peguei-me gemendo junto. Ela gemia mais e mais até que paramos juntas numa explosão. Cai pro lado e ela deitou sobre o meu peito. Senti que aquele era o seu lugar. Então ela me sorriu com os olhos e sussurrou com felicidade:

- Eu te amo...

Ouvi o disco parando de rodar na vitrola. Aquela já não era uma noite tão triste Chavela...

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