terça-feira, 11 de junho de 2013

L.C

Vamos fazer sete meses e eu me lembro como se fosse ontem dos primeiros três, os melhores. Nunca fui de excessos, mas neste caso, vê-la seis dos sete dias por semana não me parecia nada ruim, pelo contrário, sentia que ela tinha muito a me dar. E deu. Deu-me nossos amigos em comum, pessoas maravilhosas que quando juntas, parecia um encontro de almas. Umas mais a fim, outras menos, mas sempre um encontro gostoso e uma troca quase viciante de experiência. Deu-me Bukowski mais intensamente, uma compreensão melhor de Dostoievski entre um encontro ou outro. Deu-me finalmente Hemingway, um desejo antigo e uma preguiça de Kafka...

E lá estava eu, entre Almodóvar, Woody Allen e Bergman. Entre Beatles, Alabama Shakes, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Como não estar feliz? Como não achar que finalmente tudo se alinhou? Eu estava apaixonada por ela! Mas logo vieram as primeiras brigas, as primeiras discordâncias. Eu não queria que aquilo tudo acabasse, todos temos discordâncias, pontos de vistas diferentes. Procurei escutar e entender. Pensei comigo: “ Vai passar”. Mas não passou.

Do quarto mês em diante, a derrocada. Promessas quebradas, conversas e explicações intermináveis. As mesmas desculpas e o apelo emocional. Por fim, a quebra da confiança depositada, o desapontamento e a decepção. Me vi completamente desinteressada, sem sentido.Ela havia se tornado o contrario de tudo pelo que me apaixonei e aquele diferencial de que tanto gostava era frequentemente esquecido quando lhe era conveniente.


Hoje metade de mim ainda está com ela tentando achar uma razão de estar. As falsas promessas continuam, mas eu não sei mais no que acreditar. O pouco tempo que passamos longe me agrada e ela fica cada vez mais distante de mim. Penso em ir embora constantemente, às vezes rezo para que ela tenha coragem e faça isso por mim. Então eu penso naqueles três primeiros meses que senti que tinha encontrado meu lugar no mundo. Num tempo em que eu andava tão perdida, tão certa de ser incapaz de estar continuamente em um lugar, continuamente com alguém. Penso na importância que eu parecia ter pra ela, na utilidade e me sinto magoada quando nos vemos hoje por pura obrigação, quando tenho certeza de que quando eu for embora não vá fazer a menor diferença. Já não estou fazendo faz tempo.

E muitas pessoas ainda vão se apaixonar por ela, porque ela sabe se fazer apaixonante, envolvente. Tudo ao seu redor é lindo e tocante. Não culpo os que ainda estão sobre o efeito desse encantamento e nem julgo os futuros apaixonados. Talvez um dia eles se juntem ao grande grupo do qual faço parte junto com os outros muitos desiludidos e conversaremos sobre essa paixão arrebatadora e decepcionante pela linda, complexa e contraditória L.C.

Um comentário:

  1. Carol Bria não temos, está quase esgotada no fornecedor!

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