domingo, 15 de setembro de 2013

Bukowski

Quando eu conheci Bukowski, Lena veio junto, ou pouco antes, não sei bem como dizer. Primeiro Lena, depois o velho. Foi isso mesmo.

Quando conheci Lena dava pra notar toda a sujeira dela. Embora fosse uma mulher muito sofisticada, tudo que ela era estava sempre explícito. Eu era jovem e já escrevia alguns poemas, mas morava com a minha mãe ainda e os tempos eram difíceis. O que quero dizer é que Lena e eu tínhamos realidades opostas. É difícil pensar no que uma mulher como ela, casada com um figurão, morando metade do ano aqui e a outra metade em qualquer outro lugar do mundo que ela escolhesse, é difícil pensar no que uma mulher como ela poderia querer com alguém como eu. Diversão ou não, acho que ela serviu mais a mim do que eu a ela e como o que servi a ela foi sexo, deixemos assim para que eu não pareça tão presunçosa como de fato sou. 

Ela recebia pessoas para leituras em sua casa, boas leituras. Quando fomos apresentadas foi instantâneo o interesse. Passamos a leitura inteira nos olhando. Confiante de que a levaria pra cama esperei  no carro do lado de fora da casa tempo suficiente para que todos saíssem. Observei um a um ir embora, até o último. Eu ainda tinha o resto de uma garrafa de Whisky que roubei na cozinha, esperei mais uns minutos, o tempo de fumar um cigarro. Sai do carro com a garrafa de whisky, apaguei o cigarro no gramado e toquei a campainha. Ela abriu a porta.

- Entra, eu estava te esperando.

Pus a garrafa em cima do balcão do bar que ela tinha na sala. A Casa era grande, cheia de atrativos, belas pinturas, esculturas... E ela ficava bem, ali no meio de tudo aquilo. Era um complemento, como um vestido sexy. Fomos até a biblioteca, lá ela sentou em uma das poltronas e disse:

- Vamos! Leia pra mim um de seus poemas.

Ela cruzou as pernas, a saia do vestido subiu. Eu podia ver tudo de onde estava, essa era a intenção e isso me excitava.

- Posso acender um cigarro? – eu perguntei

- Fique a vontade.

Ascendi um cigarro, puxei o poema do bolso meio amassado e comecei a leitura. Ela levantou e veio na minha direção. Seu vestido era vermelho sangue bem justo, tão justo que dava pra ver em detalhes cada curva, o volume dos seios, os quadris... Não gaguejei, continuei. Ela abriu lentamente o zíper na lateral do vestido. Tirou as alças e foi deixando o vestido cair, eu ainda lia o poema. A lingerie era roxa com rendas pretas, ela foi tirando o sutiã, depois a calcinha e ficou completamente nua enquanto eu lia. Parei.

- Não, por favor, não pare!

Eu estava extasiada e sem fala diante daquele corpo nu a minha disposição tão fácil, tão dado. Me senti como um garotinho virgem, louco pra acabar com aquilo, ou louco pra começar.

- O nu te deixa nervosa? Vamos! Continue! – Ela pediu se inclinando para sussurrar ao pé do meu ouvido.

Continuei. Ela sentou-se sobre a mesa e ali bem em meio a alguns livros, poemas deixados da leitura, ela se tocava. Não precisei toca-la também para perceber que ela estava molhada, completamente molhada. Aquilo me paralisou novamente, eu não sabia se terminava o poema, se me jogava nos braços dela, nos seios, no sexo. Era algo que eu nunca imaginei que poderia viver.

- Por que parou? Vá até o fim!

Eu fui, terminei. Terminei pra começar e aquilo parecia um premio. Era como se eu merecesse aquele corpo, aqueles seios na minha boca, eu ainda posso sentir o gosto deles. Transamos ali no meio dos livros mesmo e depois no seu quarto, na banheira...

- Garota, você é gostosa! Exatamente como eu imaginei.

- Você imaginou?

- Eu sempre imagino. Imaginei você me comendo durante toda a leitura.

- Você é tão safada... Nunca imaginei algo assim.

- Então sua imaginação não é das melhores.

Eu a beijei. Olhei aquele quarto grande e luxuoso em volta. Toda aquela sofisticação... Mesmo com tudo, beija-la era como beijar uma puta barata. Isso é um elogio.

- O que achou da minha leitura?

- Boa.

- Só boa?

Ela se levantou, colocou o roupão florido, vermelho com azul. Não fechou. Pegou um cigarro, sentou na poltrona no canto do quarto, cruzou as pernas e ascendeu o cigarro. Ficou olhando pra mim.

- E então?

- Falta sexo, falta carne, falta vida e principalmente falta sujeira. É tudo muito certinho, muito bonitinho, não combina com você. Por mim eu jogava essa merda no lixo.

Fiquei furiosa. Minha vontade era de vestir minhas roupas e ir embora dali. Quem essa vadia pensa que é?  Ao invés disso levantei nua, peguei um cigarro, ascendi e fui até a janela. Fiquei olhando o jardim. Pensei: " Que merda, lá se foi mais uma chance!"

- Quer mesmo fazer isso garota?

- Eu já estou fazendo.

- Se já está fazendo, precisa fazer da maneira certa. – ela se levantou, pegou um pouco de Whisky pra nós e parou ao meu lado, em frente a janela e continuou. – Já leu alguma coisa de Bukowski?

- Uma amiga me falou sobre, mas nunca li.

- Eu vou te dar algumas coisas. Você precisa de um pouco de sacanagem, essa mesma sacanagem que você tem nos olhos, no toque e no jeitinho que deu de estar na cama certa. Você precisa disso na sua poesia.

- Ei, não transei com você por interesse.- A interrompi.

- A por favor! Não me decepcione! Eu estava começando a te levar a sério.

- Acha que todo mundo é como você?

- E como eu sou?

- Um puta barata.

- Eu tô começando a realmente gostar de você garota.

Comecei a vestir minhas roupas.

- Espera! Espera! Por que tanto orgulho?Você precisa de menos orgulho e mais oportunismo. Que mal há em aproveitar uma oportunidade tão deliciosamente?- Ela fez uma pausa e continuou. - Garota, você precisa entender algumas coisas.Não da pra ter pudores! Entende? Não importa em que tempo estejamos, por mais evoluídas que as coisas estejam, no fundo, eles acham sempre que literatura é coisa pra homem. Então se você é mulher e quer fazer isso tem que ter colhões, tem que fazer com que eles pensem que você tem um pau e quando se dão conta de que você não tem, eles caem aos seus pés. Mas antes disso você precisa mergulhar na sua própria sujeira, no seu submundo e se despir de tudo. Mais sexo! Ele sempre rege as boas histórias. Foda! Imagine! Foda! Crie!

Eu a agarrei. Estava completamente louca de tesão... Tirei o roupão dela e a joguei na cama. Ela quis ficar por cima, eu não deixei. A prendi entre o meu corpo e aqueles lençóis macios, mas cheirando tanto a sexo quanto o de qualquer puteiro da Lapa. Juntei seus seios com as mãos e chupei. Ela gemia e me xingava.Pedia mais e eu a forçava agressiva. Pensei naquela foda como se fosse escrever, às vezes forçar pode ser gostoso.

Fodi com ela até não aguentar mais, até a exaustão completa. Sai daquela casa com o velho debaixo do braço e tudo aquilo que ela havia me dito. Pensei: ” Que foda gostosa!” Eu estava me tornando uma escritora.


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